“Use Filtro Solar”. E o Mar.

WEAR_SUNSCREEN

“Live in New York City once, but leave before it makes you hard. Live in Northern California once, but leave before it makes you soft.”  (More por um tempo em Nova Iorque, mas mude antes que a cidade o torne ranzinza. More no norte da Califórnia por um tempo, mas mude antes que a cidade o torne mole demais.”

Essas palavras são uma tradução livre do trecho do maravilhoso texto Wear Sunscreen (Use filtro solar). Eu me obrigo a rever o vídeo feito a partir desse texto de vez em quando. Excelente lembrete para toda a vida. Todos deveriam assisti-lo. Pode ser usado como um tipo de mantra para não perder o foco no que realmente a felicidade se baseia. Discursa, principalmente, a respeito da liberdade que temos perante as escolhas na vida, reforça a ideia de que não devemos nos prender a paradigmas seguidos por tantos, ousar no novo, vencer os medos, nos desprendermos das convenções, para que quando envelhecermos e olharmos para trás, possamos dizer que tudo valeu a pena, com a certeza que fomos responsáveis pela bagagem que carregamos dentro de nós ao longo da vida. O filtro solar é para não esquecermos de cuidar de nós mesmos. Também lembrar-nos de não deixarmos o espírito envelhecer, mesmo que o corpo siga a estrada oposta. Avisar que somos responsáveis pela própria felicidade e fazer a vida valer a pena.

A minha presença por três horas em uma cidade praiana ontem – acompanhando meu marido nos cuidados de documentos – despertou novamente os meus sentidos. A paisagem com vegetação exuberante na serra, o mar, a maresia, o vento, a areia, as palmeiras na orla, os quiosques, a espuma das ondas… Eu não pertenço à cidade grande e cinzenta. Sou paulistana, morei em São Paulo desde quando nasci, tive a fantástica oportunidade de fugir da cidade grande e morar no interior por dois anos e meio. E hoje, alguma fonte invisível, muito forte e inexplicável me arremessa com toda a força em direção ao mar. É um sentimento novo, que nunca antes fora despertado dentro de mim. Não pude correr pela areia e mergulhar na água salgada dessa vez. “Entre na água , você precisa se benzer”, dizia meu avô, nas inúmeras vezes que me levou na praia durante a minha infância, e me fez enfrentar as ondas brancas, tomar algumas rasteiras daquelas que de forma inesperada, se formavam muito fortes do que minha habilidade de braçadas em desenvolvimento poderia suportar, levando-me a ralar na beira do mar e voltar pra casa sentindo pequenos grãos de areia salgados entre os dentes. Ou mergulhar, segurando o fôlego por baixo das ondas maiores, enchendo-me de coragem para abrir os olhos e sentir o salpicar ardido da água, só para ter a perspectiva da onda passando por cima da cabeça. Infelizmente não fui atropelada por nenhuma onda na tarde de ontem. Nem precisei lutar para me manter em algum lugar no mar onde meus pés alcançassem a areia enquanto a força da maré puxava a água com toda força. Mas em breve… A velha paisagem, tão conhecida e memorizada durante toda a minha infância, da cidade às curvas da serra, com a mata exuberante, da serra ao mar – e eu a conheço de olhos fechados – tornou meu dia mais colorido.

Fecho os olhos. Ouço o barulho do mar.

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