Doze anos

son mother

Doze anos passaram num piscar de olhos. Como um filme em fast forward, consigo visualizar a gravidez, seu nascimento, primeira infância, mudanças, brincadeiras, os brinquedos tão infantis que aos poucos foram deixando a prateleira e trocados por eletrônicos, controle-remotos, tablets, celulares, bicicleta com dezoito marchas. Ele cresceu. Pediu para morar com o pai, foi embora me deixando com tantas perguntas. Me ensinou em tão tenra idade o significado da expressão amar com desprendimento. A voz mudou, a sobrancelha engrossou, decidiu mudar o estilo do cabelo, presta atenção às meninas, as roupas ficam apertadas tão rápido… No entanto, ainda precisa do abraço, do beijo, do carinho. Me pergunto constantemente onde errei e onde acertei nestes últimos doze anos. Enfrentei meus piores medos de mãe, precisei aprender que amar, muitas vezes, é deixar ir, mesmo que durante a madrugada da pré-adolescência, para viver outras experiências, numa casa diferente, numa família diferente, ainda que a dele, não a minha. À mãe que adiciona esses fatos ao empirismo, a única coisa que lhe resta é rezar, pedir sabedoria e compreensão, refletir e concluir que às vezes, sair de cena é o melhor caminho. A gente se acostuma com a ausência, mesmo naqueles dias em que ela invade a casa como um lobo-mau silencioso, avisando, ele não mora mais aqui. Mas sou grata. Grata por ter superado a partida dolorida, grata, acima de tudo, por vê-lo feliz. Que a vida lhe traga mais muitas dúzias de plena felicidade. Porque isso é o que eu mais quero pra você.

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