Chega de choro

CaribbeanSunset

Um dia você vai acordar e decidir que se cansou de todo o drama da sua vida. Vai desistir de perder horas discutindo profundamente sobre um assunto como se tivesse terminado algum curso recente de análise. Um dia você vai entender porque as pessoas lhe disseram tanto para não perder tempo com tantas lamentações e pensamentos profundos. E então você percebe que pode ter deixado de fazer coisas simples que tanto aprecia por duas horas de drama, de assuntos que se arrastaram melancólicos e não te levou a lugar algum. Ozzy Osburne ou a Johnson&Johnson que estavam corretos com o famigerado título da música/slogan marketeiro: No More Tears. Então pare de choradeira e lamentação. Vá ver o pôr do sol.

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Ofensa

butterflies

Ao tentar me libertar do pensamento destrutivo causado por um fato que me incomodou na semana passada, pensei nas borboletas. Depois de passarem uma pequena temporada no casulo, criam belas asas e se libertam. Sendo assim, que eu seja libertada de qualquer amargura que tem feito a ronda constante, fruto da ofensa. Que a energia dessa semana em que vivi mergulhada na mágoa que partiu de quem não é digno da minha tristeza (e ninguém é), se dissipe. Que meus inimigos sejam felizes, que encontrem o amor genuíno, a prosperidade, a paz, e assim, dediquem-se incondicional amor-próprio e esquecendo, finalmente, dos defeitos alheios a fim de cessar ou impedir qualquer pensamento destrutivo em relação ao outro que não lhe condiz. Depois de tanto lamentar uma ofensa, finalmente encontrei algo bom. Também amargurei e caminhei na escuridão na minha condição de espírito não-evoluído, afinal, caminho há pouco tempo nessa esfera e ainda tenho muito que aprender. Não sei superar uma ofensa da noite pro dia. É provável que ainda leve muitas vidas de aprendizado nessa caminhada da existência eterna do espírito. Mas por hora, só desejo que quem me ofendeu seja feliz, atente-se às próprias qualidades, as reconheça, esqueça os defeitos alheios, liberte-se da sua própria amargura e siga seu caminho em paz, tornando-se luz por onde passa, e não um furacão destrutivo e escuro, derramando seu poço de amargura. Seja genuinamente feliz. Todo mundo merece. Você também.

Doze anos

son mother

Doze anos passaram num piscar de olhos. Como um filme em fast forward, consigo visualizar a gravidez, seu nascimento, primeira infância, mudanças, brincadeiras, os brinquedos tão infantis que aos poucos foram deixando a prateleira e trocados por eletrônicos, controle-remotos, tablets, celulares, bicicleta com dezoito marchas. Ele cresceu. Pediu para morar com o pai, foi embora me deixando com tantas perguntas. Me ensinou em tão tenra idade o significado da expressão amar com desprendimento. A voz mudou, a sobrancelha engrossou, decidiu mudar o estilo do cabelo, presta atenção às meninas, as roupas ficam apertadas tão rápido… No entanto, ainda precisa do abraço, do beijo, do carinho. Me pergunto constantemente onde errei e onde acertei nestes últimos doze anos. Enfrentei meus piores medos de mãe, precisei aprender que amar, muitas vezes, é deixar ir, mesmo que durante a madrugada da pré-adolescência, para viver outras experiências, numa casa diferente, numa família diferente, ainda que a dele, não a minha. À mãe que adiciona esses fatos ao empirismo, a única coisa que lhe resta é rezar, pedir sabedoria e compreensão, refletir e concluir que às vezes, sair de cena é o melhor caminho. A gente se acostuma com a ausência, mesmo naqueles dias em que ela invade a casa como um lobo-mau silencioso, avisando, ele não mora mais aqui. Mas sou grata. Grata por ter superado a partida dolorida, grata, acima de tudo, por vê-lo feliz. Que a vida lhe traga mais muitas dúzias de plena felicidade. Porque isso é o que eu mais quero pra você.

Paz

A minha paz está na música, no reggae, no sol, no mar.

Aos 35 encontrei a minha essência.  Tão diferente do que parecia nas últimas três décadas. Vale a pena viver a vida leve. Cada vez mais liberta daquilo que é pesado e desnecessário.

Grata todos os dias.

 

St-Croix-waters

Livro 4 de 2014 e a Gratidão

Os últimos dia foram repletos de leitura, estudo, tensão, busca por criatividade para ministrar mini-teachings às coordenadoras da escola. Haja cérebro pegando fogo! Mas no final deu tudo certo e sigo com o sentimento de gratidão no coração por ter alcançado o objetivo de retomar o trabalho do qual pedi demissão oito anos antes de ser recontratada, em outubro do ano passado. No meio-tempo, iniciei mais um livro, Sula, de Toni Morrison, dessa vez em inglês, presente da minha mãe que por muitos anos permaneceu esquecido na estante. As convicções a respeito da gratidão diária continuam em vigor (espero que pra sempre). Vinte e três dias colocando em prática meu novo hábito, posso dizer que embora nenhum milagre tenha acontecido, meus dias têm sido mais leves. Meu coração está mais leve. A pratica da gratidão diária vale a pena e eu recomendo para todos. Estou feliz, simplesmente por estar feliz, e não há nenhum motivo específico que me mova em direção à felicidade. Somente a gratidão.sula

Bob Marley e Eu

EMANCIPATE_BOB_MARLEY

Me incomodam as pessoas que não conseguem pensar em Bob Marley sem pensar na erva que ele fumava. O que ele fumou ou deixou de fumar é problema dele, ele não morreu em decorrência da maconha, e sim de um câncer. E deixou um legado maravilhoso de músicas que gosto muito de ouvir. Uma das músicas, Redemption Song, tem a citação na foto no início desse pequeno texto que escrevo. Ouvindo essa música, em outubro do ano passado, pensei profundamente nessa citação e o que podemos extrair dela para a vida: 

Nos libertemos da escravidão mental, ninguém além de nós mesmos podemos libertar a mente.

Se eu fosse adepta à tatuagem, juro que tatuaria essa frase, em inglês, em algum lugar do meu corpo. Mas como eu já tive pesadelos nos quais fiz tatuagens estranhas e me arrependi amargamente, deixa pra lá. Refleti um tempo (meses, é sério) sobre essa frase de Bob e tive uma espécie de epifania. Percebi o quanto estamos algemados às convenções sociais, o quanto fazemos para mostrar o que somos para pessoas que no fundo não nos interessa. Um dos sintomas é o abuso que temos feito das redes sociais. Por esse motivo, reduzi drasticamente o tempo gasto nelas e realmente meu dia ficou mais longo, mais agradável e uma nova sensação Carpe Diem está nascendo na minha vida. Essa citação do Bob também influenciou na minha busca em tornar-me uma pessoa com uma visão mais desprendida, acreditando realmente que ninguém nos pertence, e que amar dessa forma é algo libertador. Sou grata por ter alcançado essa visão, pois sei o quanto estou mais feliz agora, desse jeito. Escrevo essas palavras somente no intuito de compartilhar a experiência que estou vivendo. Acredito que precisamos nos esforçar mais um pouco para sermos desprendidos das pessoas e das coisas na sociedade consumista e egoísta que estamos vivendo.

E foi isso que Bob me ensinou.

 

Minha Breve História (Stephen Hawking) e A Culpa é das Estrelas (John Green)

MINHA BREVE HISTORIA

Abandonar a preguiça que me intoxicou em 2013 e substituiu minha paixão pela leitura por Candy Crush e Facebook está rendendo bons frutos. O treinamento que iniciou na última quinta no trabalho está exigindo dedicação e não estou conseguindo pensar tanto nos meus textos, mas tive tempo de ler dois bons livros e recomendo ambos. O primeiro é a autobiografia do ícone da física, Stephen Hawking. Ele narra sua trajetória desde a infância, aborda a vida acadêmica, seus estudos, o diagnóstico da esclerose lateral amiotrófica, todas as adaptações que a vida exigiu por causa da condição, família, tudo isso regado por um surpreendente bom humor. Entre um fato e outro, descreve um pouco de suas descobertas na área da física, e embora tenha se esforçado para simplificar a linguagem ao máximo, meu cérebro limitado deixou a desejar no quesito “entender alguns conceitos”. Acredito que levaria muitos anos de estudos para atingir alguma compreensão a respeito da teoria das supercordas, das dobras espaciais – que teoricamente tornariam possível a viagem no tempo – e dos buracos negros. Haja matemática, neurônios e sinapses! 

A_CULPA_E_DAS_ESTRELAS

 

Embora escrito para o público juvenil, a narrativa me cativou. Talvez exista uma eterna criança e eterno adolescente dentro de cara um de nós por pura razão empírica. Confesso que fiquei aliviada ao ler as críticas e descobrir que o livro está cativando o público adulto também! Há boatos de que vai virar filme e, sinceramente, acho lamentável. Um livro bem escrito deve permanecer no papel. Inicialmente, procurei a versão em inglês, mas estava tão curiosa para ler a história que minha ansiedade não aguentou esperar e comprei a versão em português mesmo, que estava ali, disponível na Saraiva. O assunto abordado é pesado: câncer. O modo como é abordado, no entanto, é cheio de bom humor. Mesmo dos momentos mais críticos, John Green foi capaz de extrair uma surpreendente leveza. A história é narrada do ponto de vista da protagonista, a adolescente Hazel Grace, diagnosticada com câncer e metástase pulmonar. Devorei quase 300 páginas em menos de vinte e quatro horas, sendo assim, acho que é possível passar uma breve ideia do poder de Green de cativar o leitor.

Terminado o treinamento no trabalho, devorarei mais alguns e volto para contar. Já percebi que Criação Imperfeita do Marcelo Gleiser vai me tomar um tempo considerável, mesmo com a nota do autor permitindo ao leitor pular alguns parágrafos, páginas ou mesmo capítulos se as descrições tornarem-se demasiadamente complexas.