Carta ao filho (Betty Milan)

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Comprei esse livro no primeiro semestre de 2013, mas demorei muitos meses até inciá-lo. De fato, só o iniciei há pouco menos de uma semana. A leitura é leve e flui fácil, sendo assim, a conclui em pouquíssimos dias. A autora e psicanalista, Betty Milan, escreve ao filho, o qual havia se afastado por sentir-se sufocado pelo apego excessivo da mãe, descrevendo sua trajetória amorosa, profissional e familiar, o que a levou ao apego e a grande lição de vida aprendida. Descreve também, o período da sua vida em que submeteu-se à psicanálise com Lacan, na França, conta um pouco do período que marcou a revolução sexual no Brasil e impacto que teve em seu relacionamento com o marido.

Estou feliz por voltar a ler mais. Andei um tempo com minhas leituras “engessadas” por conta do acesso integral à Internet. Decidi, há poucos dias, reduzir sensivelmente meu tempo gasto na Internet, especialmente ao Facebook, ao concluir que é enorme o número de atividades interessantes que poderia fazer. E como gosto de escrever, é preciso ler, ler muito para abrir a mente, formar opiniões, praticar vocabulário. Ao concluir Carta ao Filho, embarquei na autobiografia de Stephen Hawking, Minha breve história, e em poucos dias retornarei ao blog para a resenha deste. Estarei em treinamento a partir de quinta. Fim de férias, início do ano letivo nas duas escolas onde leciono inglês. Estou feliz por ter desfrutado quase um mês de descanso. Corpo e mente limpos, alimentação predominantemente saudável, me sinto renovada para continuar 2014 com as propostas que fiz a respeito da gratidão. Foi um início de ano simples, mas com momentos leves, pessoas amadas, breves escapadas da cidade, saúde em foco, tudo bem. E é claro que não posso deixar de ser grata por tudo isso.

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Filmes e Livros

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Cinema sempre faz bem. Mesmo que sem a pipoca e com um almoço light antes, composto por saladinha e salmão (claro). Pra variar, demos sorte ao entrar num filme “no escuro”, sem saber ao certo do que se tratava. A surpresa foi agradável. A sinopse é bem simples:

Walter Mitty (Ben Stiller), é um homem tímido, gerente de uma loja de produtos fotográficos. Quando um negativo desaparece de seu estabelecimento, ele se vê obrigado a embarcar em uma verdadeira aventura. Recomendo!

( http://www.cinemark.com.br/filmes/a-vida-secreta-de-walter-mitty/4515)

Ainda em tempo, estreia em 2014, o filme A menina que roubava livros, baseado no bestseller de Markus Zusak, com o mesmo nome. Como toda história que aborda o holocausto, muito profundo. Basta esperar para conferir se o filme é tão bom quanto o livro. Da lista de livros que abordam o holocausto, li O diário de Anne Frank (diário da menina compilado pelo pai após a sua morte) O menino de pijama listrado (John Boyne). Tamanha tragédia do último, não tive coragem de ver o filme ainda. Recomendo todos! Ontem terminei What’s a dog for? (John Holmans) , abordagem histórica, antropológica, científica e social do cão. Não dispensei as lágrimas no penúltimo capítulo, por uma questão puramente empírica, no qual o autor aborda a eutanásia. Quem alguma vez segurou a pata do seu cão nos últimos momentos de sua vida, sabe a dor profunda que esse momento proporciona. Ontem iniciei a leitura de Carta ao filho, de Betty Millan e ainda tenho uma lista de livros que quero ler. Costumava ler muito mais, e no ano passado andei muito preguiçosa. Culpa vergonhosa do Candy Crush que me manteve hipnotizada por alguns meses. Que vergonha! Li umas boas pérolas por aí nos anos anteriores e um muito ruim. Eis a lista dos memoráveis lidos entre 2012 e 2013:

Cem dias entre o céu e o mar (Amyr Klink): curto e excelente. Relato de Klink sobre sua aventura atravessando o Atlântico sozinho num barquinho a remo (da África ao Brasil);

We need to Talk about Kevin (Lionel Shriver): Aflitivo e muito pesado. A respeito de um menino assassino.

Those lovely bones (Um olhar do paraíso, Alice Sebold): O livro é bom, mas o filme é melhor. Salmon é assassinada e narra sua história sob a perspectiva pós-vida.

Cinquenta tons de cinza (Fifity Shades of Gray, E.L. James): Apelidei o livro de Cinquenta tons de idiotice, portanto não perca seu tempo.

Na fila eu tenho um livro sobre astronomia do (brilhante) Marcelo Gleiser – tive a sorte de assistir a uma palestra dele no observatório de Brotas em 2009 – e a biografia de Chaplin (este último aguardo minha mãe concluir a leitura e liberar!)

Quaisquer indicações de filmes e livros nos comentários serão extremamente bem vindas para engordar a minha lista!

Quatro patas

PAWPRINT

Eu me apaixonei pelos seus enormes olhos castanhos. Recebi a foto dele por e-mail, e no meio de tantos outros, ele me chamou a atenção. Na mesma hora, o pensamento certeiro cruzou a mente: Ele será meu. Ele chegou numa tarde quente de verão, final de janeiro. Era muito tímido, um pouco cabisbaixo, evitava fitar-me nos olhos, parecia um pouco assustado, mas não se intimidou nem um pouco quando decidiu verificar o que tinha para comer no armário da cozinha. Não soube me dizer a idade que tinha. Colocou a cara lá dentro e farejou a despensa, cauteloso e silencioso. Em poucos minutos, porém, já acreditava ser era o proprietário do recinto. Logo gostou do sofá. E da cama de solteiro no quarto do meu filho também. Dormiu várias noites nela, enquanto desocupada. Sentia-se bastante à vontade com a comida também. Certa vez, roubou um frango inteiro em cima da mesa, sem pedir permissão. Demorou alguns dias até que passasse a depositar plena confiança em nós. E também, não confiava muito no espelho. Acreditava que sua imagem nele refletida, tratava-se na verdade, de um outro indivíduo da sua matilha da qual ele era o alfa. Vocalizava nervoso, ameaçando-a. Fazia isso, principalmente, de madrugada, período do dia em que muitos deles gostam de iniciar uma conversa. Precisei cobrir parte do espelho com um pôster de uma galáxia que veio anexado a um dos meus exemplares da revista National Geographic – já me aventurei na astronomia amadora por um tempo, deixo o assunto para outro texto – foi a forma que encontrei para impedi-lo que latisse alto mais uma vez, no meio da noite, para a própria imagem refletida.

Certa noite, ele me mordeu. Levantei no meio da noite para buscar um copo d’água, e quando retornei, passei pelo lugar onde dormia. Ele acordou, eu sentei no chão e lhe abracei. Foi quando mordeu meu rosto. Não foi nada grave, porém a atitude foi inesperada e me assustou, mesmo o tendo perdoado no mesmo exato momento, obviamente. Percebi que talvez sua história – desconhecida para mim – tenha gerado algum tipo de desconfiança e resolvi ter cautela e paciência para ganhar sua total confiança. Precisava ganhá-la. Ele havia me fisgado. Mas isso foi há quase um ano. Hoje, posso abraçá-lo, até enterrar a cabeça em seu pêlos brancos e macios. Ele não se importa, deita de costas no chão gelado e abana o rabo, retribuindo o carinho.

Ele é um dos quatro bichos que invadiram permanentemente o meu coração. Todos eles me transformaram de alguma forma, me tornaram mais humana, me ensinaram que o amor não é aquele sentimento humano recheado de ciúmes e melodramas que vemos por aí, e sim a mais pura forma de expressão de afeto e doação. Eles permanecem na nossa vida mesmo depois de terem partido do plano físico e deixam a bela lição a respeito do que realmente importa nessa jornada.

Dieta já!

DIETA

Depois de um tempo largada aos pecados quase mortais da geladeira, resolvi dar um passo em direção à minha saúde. Afinal, passei os últimos dois anos e meio jogando todo esforço que fiz em 2010 no lixo. dezoito quilos perdidos com tanto esforço e disciplina e ganhos à velocidade da luz ao primeiro sinal de frustração- exceto o mês que antecedeu meu casamento, período que resolvi passar a maior fome de todos os tempos. Mas para mudar é preciso ir às compras. Então, nesse momento, minha geladeira encontra-se repleta de peixe, frutas, agrião, cenoura, tomate, iogurte light, chá branco e suco de uva integral (desse eu não abro mão. Principalmente o branco. Li a respeito dos variados benefícios que ele traz à saúde, depois coloco o link aqui). E tem granola no armário para o café da manhã, ou seja, eu eliminei todas as possibilidades de inventar uma desculpa para ir até a loja de conveniência mais próxima e voltar com um Kit Kat, duas caixas de Amandita, uma barra de Shot e um tubo de Pringles. Confesso que minha saída à busca de um biquíni novo me inspirou definitivamente. Comprei o tal biquíni, mas um pouco relutante, queria algo um pouco mais comportado, eu queria uma maiô! Mas acabei me rendendo a um modelito modesto, tão modesto que fez o meu marido franzir a cara e dizer: “Esse negócio tem tecido demais.”  Tudo bem, aproveitei e comprei um short e uma camiseta para usar como “saída”, bem comportadinhos também, para cobrir tudo enquanto não estiver na água e me senti melhor assim. Antes de deixar o mau humor tomar conta pelo fato de ter deixado meu corpinho de sereia (mentira, nem era tudo isso) virar baleia, resolvi focar no fato que a força de vontade surgiu de verdade no começo desse ano. Invariavelmente eu costumava postergar o início da dieta para o fim das férias, ou somente quando “o treinamento do trabalho terminar”, ou depois do aniversário do meu filho, logo mais, em fevereiro, ou depois do Carnaval. Meu objetivo não é ficar igual à Gisele (aquela, a Bündchen). Com meus enormes 1,48m de girafa e aos 35, não tenho essa modesta pretensão. Só quero estar saudável e caber em roupas normais. Só isso. Tempo de profundas mudanças, minha reeducação alimentar começa agora, junto com a reeducação espiritual e mental que começou há alguns meses. E que venha muito Om junto para ajudar. Desenrolar meu tapetinho verde de Yôga será mais do que essencial.

Só falta o mar… ah, o mar… eu não paro de pensar…

“Use Filtro Solar”. E o Mar.

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“Live in New York City once, but leave before it makes you hard. Live in Northern California once, but leave before it makes you soft.”  (More por um tempo em Nova Iorque, mas mude antes que a cidade o torne ranzinza. More no norte da Califórnia por um tempo, mas mude antes que a cidade o torne mole demais.”

Essas palavras são uma tradução livre do trecho do maravilhoso texto Wear Sunscreen (Use filtro solar). Eu me obrigo a rever o vídeo feito a partir desse texto de vez em quando. Excelente lembrete para toda a vida. Todos deveriam assisti-lo. Pode ser usado como um tipo de mantra para não perder o foco no que realmente a felicidade se baseia. Discursa, principalmente, a respeito da liberdade que temos perante as escolhas na vida, reforça a ideia de que não devemos nos prender a paradigmas seguidos por tantos, ousar no novo, vencer os medos, nos desprendermos das convenções, para que quando envelhecermos e olharmos para trás, possamos dizer que tudo valeu a pena, com a certeza que fomos responsáveis pela bagagem que carregamos dentro de nós ao longo da vida. O filtro solar é para não esquecermos de cuidar de nós mesmos. Também lembrar-nos de não deixarmos o espírito envelhecer, mesmo que o corpo siga a estrada oposta. Avisar que somos responsáveis pela própria felicidade e fazer a vida valer a pena.

A minha presença por três horas em uma cidade praiana ontem – acompanhando meu marido nos cuidados de documentos – despertou novamente os meus sentidos. A paisagem com vegetação exuberante na serra, o mar, a maresia, o vento, a areia, as palmeiras na orla, os quiosques, a espuma das ondas… Eu não pertenço à cidade grande e cinzenta. Sou paulistana, morei em São Paulo desde quando nasci, tive a fantástica oportunidade de fugir da cidade grande e morar no interior por dois anos e meio. E hoje, alguma fonte invisível, muito forte e inexplicável me arremessa com toda a força em direção ao mar. É um sentimento novo, que nunca antes fora despertado dentro de mim. Não pude correr pela areia e mergulhar na água salgada dessa vez. “Entre na água , você precisa se benzer”, dizia meu avô, nas inúmeras vezes que me levou na praia durante a minha infância, e me fez enfrentar as ondas brancas, tomar algumas rasteiras daquelas que de forma inesperada, se formavam muito fortes do que minha habilidade de braçadas em desenvolvimento poderia suportar, levando-me a ralar na beira do mar e voltar pra casa sentindo pequenos grãos de areia salgados entre os dentes. Ou mergulhar, segurando o fôlego por baixo das ondas maiores, enchendo-me de coragem para abrir os olhos e sentir o salpicar ardido da água, só para ter a perspectiva da onda passando por cima da cabeça. Infelizmente não fui atropelada por nenhuma onda na tarde de ontem. Nem precisei lutar para me manter em algum lugar no mar onde meus pés alcançassem a areia enquanto a força da maré puxava a água com toda força. Mas em breve… A velha paisagem, tão conhecida e memorizada durante toda a minha infância, da cidade às curvas da serra, com a mata exuberante, da serra ao mar – e eu a conheço de olhos fechados – tornou meu dia mais colorido.

Fecho os olhos. Ouço o barulho do mar.

Livros

Realizando minhas pesquisas no Google, me deparei com um livro que tem o mesmo título do meu blog, escrito por M.J. Ryan. Ao atribuir esse título ao meu blog, não tive a menor intenção de plagiar alguém. Existem dois livros com o mesmo título no site da Livraria Cultura. É lógico que sinto-me quase intimada a comprar os livros agora, mas não pretendo atropelar a pobre fila que quase jaz no meu criado-mudo. Estou terminando o livro What’s a dog for? e ainda tenho Carta ao meu filho e um outro do Marcelo Gleiser sobre física e astronomia na fila. Sem contar que eu tenho pressionado minha mãe para concluir a leitura Chaplin, para que eu possa gentilmente abduzi-lo por uns tempos. Menos Facebook e mais leitura em 2014. Será que dou conta?

E você? Está lendo o que?

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A origem e o destino da mudança

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Você que acompanhou meu blog aos longos dos anos sabe que eu já fui uma pessoa complicada. Às vezes, sei que ainda sou, mas encontro-me em profundo processo de descomplicação. É sério. Já passei por longos períodos de tristeza, remoendo todas as mazelas da vida, já me afundei em poço, ilusão, já me agarrei a esperanças absurdas, já perdi e já ganhei. Já joguei a toalha, fiquei ranzinza, sarcástica, já tive fortes tendências a passar os dias mais ensolarados no modo cinzento, e já rodopiei por meses como a Julie Andrews em uma colina verde até dar de cara num poste. Não em uma árvore. No entanto, muitas vezes que alguma luz no fim do túnel surgiu na minha vida em períodos obscuros, eu abandonei a fé. Quando voltei da cidade do interior onde morei por pouco mais de dois anos e meio, com a esperança bastante abalada, resolvi ler o livro “O Segredo”. Confesso que li boa parte e deixei o resto para o dia em que tivesse aberta a ouvir que a respeito das minhas características que necessitavam mudança, e não no mundo ao meu redor. Esse dia tardou, mas não falhou. Chegou. Foi um pequeno impulso do destino que me trouxe de volta à tona. Passei tantos meses de 2012 lendo a respeito de Budismo e fazendo Yoga, mas não compreendi por tanto tempo o significado do ato de estar “alerta”, que ia de encontro com todos os conceitos (sem base alguma) que acreditava dominar a respeito de meditação. Hoje conheço o conceito com um pouco mais profundamente, porém ainda preciso aprender a aplicá-lo. Meditar não é atingir um estado de transe mística, deixar o corpo por alguns segundos até atingir o Nirvana, e sim, estar consciente, vigilante de todos os pensamentos que cruzam a nossa mente e bloquear os pensamentos negativos, aqueles que nos arremessam para um vórtex de negatividade. E não é tão fácil assim quanto parece. A busca da felicidade inclui afastar qualquer pensamento negativo a respeito pessoas com quem não gostaríamos de conviver, desejar-lhes o bem, desviar o foco quando desenhamos em pensamentos um futuro um tanto quanto obscuro, manter a mente positiva e acima de tudo, praticar a gratidão.

O título deste blog tem a ver com isso. A busca da felicidade está intimamente ligada à pratica diária da gratidão. Me propus a escrever pelo menos uma coisa por dia pela qual sou grata no ano de 2014. Até hoje, quarto dia do ano, ainda consegui manter o objetivo. Ao compartilhar ideias, uma amiga mencionou a filosofia aplicada ao filme Corrente do Bem. Fui pesquisar a ideia de pay it forward propagada no filme, que engloba, principalmente, fazer favores a terceiros, cada vez que receber algum favor de alguém. A ideia é excelente, mas não é preciso esperar. A corrente do bem pode partir de você. Por que não?

Dizem que essa atitude, quando somada à gratidão, é poderosa e capaz de trazer resultados práticos à vida. Assim inicio 2014, com nova perspectiva e desejo de compartilhar. A ideia é que esse blog seja, principalmente, a respeito disso. Mas poderá incluir também, resenhas, críticas, divagações, alguns fatos do cotidiano, minha visão a respeito do mundo e talvez, contos. Talvez. Tenho a ideia de escrever alguns e quando tratar-se de texto fictício, será sinalizado. Se você também gosta de escrever e passar por aqui, por favor, deixe seu o link do seu blog nos comentários para que eu possa agregá-lo a minha lista de leitura diária.

Desejo que os 365 dias do seu ano sejam leves e iluminados.